Na tarde de quinta feira passada, o IPEA-INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA anunciou que, a pedido do “ministro” Mangabeira Unger que, por sua vez, agia a mando do Gabinete da Presidência da República, decidiu (até segunda ordem) deixar de dar publicidade ao seu conceituado relatório técnico trimestral. O citado estudo analisa as tendências macro econômicas, dentre elas, o avanço ou refreamento da marcha inflacionária.
O IPEA é um instituto de assessoramento à Presidência da República. Por óbvio que não estaria obrigado a dar publicidade aos seus estudos técnicos.
Estranha-se, entretanto, que esta lei do silêncio entre em vigor somente agora que a inflação volta a assombrar a vida do brasileiro.
Eu disse aqui, em outra oportunidade, que a inflação estava para retomar o fôlego anterior e, infelizmente, ao que tudo indica, não me enganei.
Os sinais são bastante claros. O governo gasta desordenadamente e investe a fundo perdido. A ânsia em tributar abre a larga porta da sonegação fiscal. A corrupção atinge o primeiro escalão e a punição aos corruptos ou demora demais ou não acontece. O assistencialismo com fins eleitoreiros não esbarra em limite algum. Não é preciso ser economista para identificar as evidências do breve retorno da inflação.
E, lamentavelmente, a população brasileira anda por demais desiludida para reorganizar os “Fiscais do Sarney“.
O filósofo Huberto Rohden criou o interessante neologismo “egocídio”. Seria uma espécie de anulação do ego. Nas palavras do Dr. Humberto Leite de Araújo, autor da excelente obra DE FRANCISCO DE ASSIS PARA VOCÊ, ” Egocídio quer dizer anulação do ego, isto é, da nossa natureza humana, dos nossos instintos opostos ao Bem. Todos guardamos, avaramente, esses instintos, dentro de nós. Por isso sofremos.” (p 213, 5a. ed., edição do autor).
A origem de todos os conflitos pessoais necessariamente atravessam o território do ego.
O ego desprestigiado ou ofendido ocasiona as discussões inúteis, os desentendimentos profissionais, pessoais e familiares, além de provocar os sofrimentos morais que, não raro, eclodem em doenças psicossomáticas.
Particularmente, não acredito seja possível anularmos nosso ego. Creio que podemos ajustá-lo, reduzindo os seus efeitos danosos em relação a terceiros e, principalmente, por nós mesmos que, afinal, acabamos sofrendo sem necessidade.
Toda vez que penso no colegiado que aprova as leis deste país, ignorando as reais necessidades do seu povo, lamento que nossos representantes não pratiquem um pouco de egocídio.
Considero cada blogueiro uma espécie de visionário.
Claro que os antenados conseguem fazer do seu blog uma ferramenta com a qual prospectam o mercado e ganham quantias apreciáveis.
Não é o meu caso. Sou burro demais para me dar ao trabalho de ficar horas ensaiando esquemas multiplicadores e geradores de receita.
Gosto da blogosfera em si, venha ou não algum dinheiro através dela. Confesso que antes de tomar contato com a blogosfera eu detestava a internet. Achava uma imensa perda de tempo os sites de relacionamento, messengers e coisas que tais.
Mudei de idéia depois de alinhavar este bloguinho, posto que, através dele, descortinei um universo fascinante constituído de pessoas que refletem sobre a vida, analisam os fatos do cotidiano, promovem campanhas, difundem conhecimento, desabafam e se solidarizam umas com as outras formando uma imensa família virtual.
Penso que - juntos - estamos construindo um legado que a humanidade do futuro receberá por herança. Talvez não tão empolgante como as pirâmides egípcias, entretanto, repleto de sentimentos estampados no formato de palavras.
Nossos livros compostos de bits passeiam pelo mundo.
Neles, permanecerão os sentimentos e emoções que formos capazes de provocar em quem nos leia quando tudo o que reste de nós neste planeta não seja mais do que um blog.
Coisa que muito me intrigou, logo no início da minha vida profissional, foi a constatação da distância existente entre pessoas da mesma família. Não o distanciamento físico imposto por circunstâncias da vida e sim o isolamento voluntário – e mesmo o repúdio - que um impunha ao outro. Casais unidos tão somente por um pedaço de papel.
Acredito no casamento tanto quanto creio na utilidade do divórcio. Este último permite que joguemos fora a máscara da hipocrisia e acabemos com a cadeia do ódio recíproco que, sem o divórcio por opção, estaria fadado a aumentar infinitamente.
Vivemos num tempo estranho. Não diria que seja o mais estranho de todos os tempos, porém é de causar rubor a quantidade de atitudes simuladas, encenações sociais e interesses velados que podem deitar sobre o mesmo leito.
Notabilíssimo o esforço da religião em manter as uniões conjugais, exceto quando serve de pretexto para perpetuar o teatro nosso de cada dia, caracterizado pelo enorme amadorismo por parte dos atores envolvidos.
Penso que a religião deveria mudar o foco. Explico. Em vez de condenar seres humanos a viverem como bichos por conta da ameaça do caldeirão de Belzebu, deveria preocupar-se em incutir nos jovens a consciência do que é o casamento.
Sim, toda confraria religiosa deveria preparar os jovens para a vida matrimonial com conselhos práticos e exemplificando o conhecido drama das uniões que se tornaram desastrosas.
Nada de jogar o balde de água fria na cabeça dos “lindinhos”; todavia, é mister mostrar-lhes a realidade tal qual a conhecemos: cotidiano, falta de recursos para o lazer, tédio, filhos, restrição de liberdade comparada à vida de solteiro, contas para pagar, etc.
Poxa, Mário, mas aí você está jogando um iceberg na cabeça dos “lindinhos”. É mesmo? Então me garanta de pés juntos que essas coisas nunca ocorrem na vida de um casal.
Preparar para o casamento é, acima de tudo, mostrar aos jovens as causas dos possíveis sucessos ou fracassos da vida conjugal, alertando-os quanto à responsabilidade contraída.
Aliás, os pais deveriam contar aos filhos a história da sua vida de casal, relatando os enganos, precipitações, anseios, realizações, sucessos e glórias que os acometeram até aquele momento. Seria desejável que confessassem aos filhos o que fariam de outro modo e os deslizes que evitariam cometer se pudessem começar de novo. Isso ajudaria muito a preparar os noivos para decidirem o melhor momento de unirem as escovas de dentes.
Já testemunhei os dogmas religiosos arrastarem para o casamento pessoas visivelmente despreparadas que, com o consentimento paterno, contraíram matrimônio bem antes dos dezoito anos, sem prévia experiência sexual, exatamente como aqueles afoitos que mergulham no desconhecido oceano para conhecerem, vez por todas, o tão famoso fundo do mar.
Casamento é responsabilidade enorme. Implica na junção de dois seres que passarão a lutar pela realização de objetivos comuns, agregando familiares de um e outro, os quais, direta ou indiretamente, também comporão a nova célula familiar.
Ao assistir alguns capítulos da novela “A FAVORITA”, não consegui me surpreender com a atitude de um marido em relação à sua esposa. Tratando-se ele de pessoa embrutecida pela vida, vota a ela tratamento indigno de ser prestado ao mais humilde serviçal. Na vida real, vi isto acontecer mais de uma vez.
Há casos em que o divórcio vem bem a calhar, seja com ou sem a ameaça do futuro fogo do inferno. Afinal, para certos casais, viver no inferno já é rotina.
Exatamente para que isso não ocorra é dever dos pais orientarem seus filhos. Assim como é dever de todos aqueles que se dizem representantes de Deus prestarem orientação responsável aos fiéis, a fim de que os casais passem a contrair núpcias cientes da realidade e não para atendimento de dogmas religiosos ou conveniências sociais.
Se assim agissem os pais e os “pregadores”, evitar-se-ia que muitos casais viessem a mergulhar num caldeirão ardente, do qual, algumas vezes, só conseguem se desvencilhar depois de uma vida inteira de amarguras e frustrações recíprocas.
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20 DE JUNHO - DIA DO REFUGIADO
Recebi, da amiga Grace, o vídeo abaixo alusivo ao DIA DO REFUGIADO. As fotos são de autoria da Grace, obtidas em suas viagens à África, em face da missão que vem desenvolvendo junto aos refugiados. As imagens falam por si mesmas, dispensando maiores comentários. Não deixe de assistir ao vídeo.
A noite corria ao meu lado, igualmente cansada de sol. E a lua sentou-se no banco daquela velha praça arborizada. Senti a dor que a consumia. As lágrimas corriam soltas. O firmamento abandonado, sem lua ou sol. Escuridão profunda. As estrelas bateram em disparada, temerosas de que fosse o fim dos tempos. A lua ficou comigo. Lamentou a dor que a consumia. Disse-me dos séculos que testemunhara, dos reis que subiram ao trono e dele despencaram. Falou sobre o mundano e o divino. Dissertou sobre a triste sina humana. Lembrou-se das comédias e dos dramas, inundações e secas, templos e guerras. Olhei a lua sem nada entender. Pensei fosse impossível sentar-se ao meu lado no banco da praça arborizada. Mas aquela lua chorosa ali ficou por longo tempo, até desaparecer sob o mesmo silêncio com o qual invadira o meu sonho.
Editado por Mário Leal.
Foto cabeçalho por Volnei Almeida.
PREMISSAS
"Escrever é tarefa das mais árduas para que se obtenha um texto de qualidade. Existe entre o escritor e seu escrito uma interação quase mágica, misteriosa eu diria. Faz-se aquele filho composto de palavras e frases intercaladas e depois solta-se o menino no mundo para ser devorado pelos leitores. Estes últimos dirão se o esforço foi ou não válido, se atingiu ou não o objetivo, se comoveu, estimulou, inovou, tocou ou não a alma do leitor. Enfim, se aquele escrito merece algo mais do que a alheia indiferença." (Mário Leal)
"Somos hoje essa estranha junção do homem de ontem com o ser de luz que brilhará amanhã." (Mário Leal)
"Viver é acreditar no amanhã melhor, seja como for, apesar de tudo, crendo na força do universo velando por nós." (Constantino)